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| Advogado gasta 60% do dia para produzir peças processuais |
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Rosanne D'Agostino
Um advogado brasileiro típico gasta 60% do seu tempo de trabalho na análise, pesquisa e confecção de peças relativas aos processos de seus clientes.
Esse é um dos resultados de uma pesquisa realizada com 400 profissionais da área em cinco Estados pela IOB, empresa que fornece informações a empresas sobre conteúdo jurídico e contábil, e pela Flemming Consultoria.
“Isso acontece porque nós temos aproximadamente 300 mudanças diárias na legislação brasileira”, explica Vlamir Martins das Neves, responsável pelo conteúdo jurídico e coordenador editorial da IOB. “São tantas as mudanças que os livros acabam ficando obsoletos de um dia para o outro e o advogado tem que correr atrás da informação para se atualizar diariamente”, revela.
Os entrevistados afirmaram no levantamento que consomem 15% de seu tempo com pesquisas processuais, ou seja, na busca de informações necessárias para defender o cliente. Entre elas estão doutrinas mais atuais, jurisprudência e legislação. A pesquisa também aponta que outros 15% da carga são gastos na análise desses dados, que são obtidos após a checagem das mudanças nas leis e dos novos entendimentos dos grandes tribunais, a fim de que sejam aplicados a cada caso específico.
Com as informações nas mãos, chega a parte mais difícil: confeccionar a peça processual. Essa é etapa que consome a maior parte do dia —30%. É mais tempo do que o gasto nos tribunais e cartórios, apontados como vilões pela categoria. Apenas 17% do dia dos profissionais da advocacia é gasto em tribunais e 11%, em cartórios. O restante da carga de trabalho é destinado a visitas (7%) e prospecção (8%) de clientes.
Atualização Outro dado curioso que pesquisa aponta é que a advocacia brasileira consome pouca informação jurídica, em comparação com países europeus. Enquanto o mercado de informação na área na Alemanha movimenta cerca de US$ 600 a 800 milhões ao ano, o brasileiro não passa dos US$ 99 mi anualmente.
O detalhe é que, na Alemanha, são 103 mil advogados ativos, contra 440 mil no Brasil. De acordo com um levantamento da Comissão de Ensino Jurídico da Ordem dos Advogados do Brasil, com base em dados do Ministério da Educação, o país também conta atualmente com 1.078 cursos de direito, os quais oferecem anualmente 223.278 vagas.
Ainda segundo a pesquisa da IOB, o advogado alemão gasta, em média, entre US$ 5.818 e US$ 7.750 em informação jurídica. O brasileiro despende US$ 225 por ano nesse tipo de produto, que pode ser um livro (26%), CDs (28%), informação disponível on-line (45%), e em papel, a forma ainda mais utilizada de conteúdo na área (51%).
Isso pode ser explicado pela configuração do segmento. Mais da metade (59%) dos escritórios do país é de pequeno porte, com até três advogados. Os com mais de 10 profissionais representam apenas 12% do total.
Internet O acesso à internet é generalizado. “A pesquisa mostra que 95% dos advogados brasileiros acessam a Internet, 74% deles por meio de banda larga. Por isso achamos que os serviços on-line devem crescer e tornar-se uma grande fonte de informação para o advogado”, considera Otávia Fischel, diretora de relacionamento da IOB.
A pesquisa foi feita com entrevistados de São Paulo (47,6%), Rio de Janeiro (24,7%), Minas Gerais (13,5%), Rio Grande do Sul (10,4%) e Pernambuco (3,8%).
Sexta-feira, 21 de setembro de 2007
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