Com extradição, traficante colombiano Abadia pode ter pena reduzida

Rosanne D'Agostino - 21/10/2007 - 11h00

Um dos maiores traficantes de drogas do mundo, o colombiano Juan Carlos Ramirez Abadia pode ter a pena reduzida com a extradição para os Estados Unidos. Esse é o objetivo de seu advogado, Sérgio Alambert, que pretende extraditá-lo ainda este ano.

O traficante era um dos mais procurados pelos EUA até ser preso, dia 7 de agosto no Brasil, na operação Farrapos da Polícia Federal, acusado de comandar a maior quadrilha de tráfico internacional de entorpecentes já existente. O esquema teria movimentado mais de US$ 1,5 bilhão e ocasionado cerca de 300 mortes, pelas quais Abadia responde a processo. Além disso, teria infiltrado em território norte-americano mais de 1.000 toneladas de cocaína.

Para garantir a extradição o mais rápido possível, seu defensor, especialista em direito internacional e negociação com a justiça americana, confia em uma estratégia baseada em acelerar o processo no Brasil e na habilidade ao tratar com autoridades nos Estados Unidos sobre o caso. O primeiro passo já ocorreu com velocidade atípica: a prisão com fins de extradição, normalmente decretada em até três meses, foi determinada em um dia.

Segundo o advogado, em território norte-americano, Abadia tem duas vantagens: não poderá cumprir uma pena superior a 30 anos (fruto do tratado de extradição com o Brasil) e terá direito a uma negociação prévia à fase judicial. Nesta, Alambert pretende conseguir uma pena mínima de 20 anos para o cliente que, com muita sorte, podem virar até 15. “Se conseguirmos isso, será uma grande vitória”, afirma.

Caso permaneça no país, Abadia terá de esperar cumprir a pena a que for condenado aqui, para depois ser extraditado. “Serão oito anos de espera”, diz Alambert. Esse cálculo é baseado na redução conseguida por meio da delação premiada, negociada junto à 6ª Vara da Justiça Federal paulista. Pelos crimes de lavagem de dinheiro, uso de documentos falsos, formação de quadrilha e corrupção ativa, a condenação pode vir a somar de 10 a 12 anos.

Como seus aliados, Alambert conta com a lei brasileira referente à extradição, que classifica de “moderna e evoluída”, e com as informações que o traficante tem a oferecer à polícia, em troca da redução da pena. “Esses dados têm muito valor agora, por isso temos que conseguir a extradição rapidamente”, completou.

Desde que foi preso, Abadia surpreendeu quem achava que ele negaria todas as acusações à Justiça. Ao invés disso, decidiu colaborar. “Ele não entregou pessoas, mas locais onde valores estavam escondidos”, destaca o advogado. “Outros países repetem a lei brasileira, tal seu alto nível, e estamos confiantes de que dará certo”, considera.

Outro fator benéfico, continua Alambert, seria o componente político do caso. Normalmente, uma extradição pode levar até dois anos para acontecer, devido ao grande número de processos em andamento no STF (Supremo Tribunal Federal). Mas a repercussão da prisão do traficante pode fazer com que o processo de Abadia seja acelerado na Corte.

“Vou aos EUA conversar com todos os envolvidos, porque eles, mais do que ninguém, querem Abadia preso e cumprindo pena lá”, acredita o defensor. “Tudo o que não interessa para a Justiça brasileira é mantê-lo preso por oito anos aqui”, conclui.

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