Recordista presta Exame da OAB 17 vezes; e ainda tenta
Marina Diana - 11/11/2007 - 09h00
Ele já passou mais tempo em cursinhos preparatórios para o exame do que na própria faculdade.
“Não existe um limite, não se jubila no Exame de Ordem. O candidato pode prestar quantas vezes quiser”, conta Braz Martins Neto, presidente da comissão de exame da OAB-SP.
Braz nega que o candidato, quando reprovado em muitos testes, tenha o nome “marcado” pelos examinadores. “Nem lembro o nome dessa pessoa, mesmo ela tendo prestado tantas vezes”.
Para o coordenador dos cursos o Exame de Ordem do Complexo Jurídico Damásio de Jesus, Marcelo Cometti, quando o candidato presta mais de cinco vezes, acaba ficando desmotivado e pára de fazer a prova. “Geralmente ele volta apenas após um ano e precisa retomar tudo. Esse é o maior erro. A pessoa tem que revisar muita coisa e acaba entrando em pânico”, diz.
Criado no início dos anos 70, o Exame de Ordem é o único meio de conseguir a solução legal e necessária para iniciar a carreira e, efetivamente, advogar. Sem ela, o bacharel em Direito não assina nem petição.
“O nervosismo com a prova e principalmente a constante cobrança de um resultado positivo por familiares e colegas de trabalho podem resultar na reprovação do candidato”, comenta Cometti. “A tensão também deve ser levada em consideração e devidamente estudada. Queira ou não, o emocional tem peso preponderante na hora da prova e o candidato precisa de muita inteligência para saber lidar com isso”.
Em baixa
O 126º Exame de Ordem, de maio de 2005, continua a ser o de pior resultado na história da OAB-SP, com aprovação de apenas 7,16% dos bacharéis. O segundo pior foi o 124º, de setembro de 2004, com 8,57% de aprovados.
No último exame, cuja segunda fase (prático-profissional) foi realizada em 16 de setembro, foram aprovados 15,9% dos que realizaram a prova.
Braz Martins afirma que o Exame de Ordem tem o mesmo grau de dificuldade desde a primeira prova aplicada pela seccional paulista. Como exemplo, o representante da OAB citou a USP (Universidade de São Paulo) que, segundo ele, mantém o mesmo desempenho desde o primeiro Exame, realizado há 36 anos.
“Diferente do que todo mundo diz, o Exame de Ordem não tem nenhuma dificuldade do que aquela apresentada há mais de três décadas. A USP sempre aprovou o mesmo percentual, cerca de 80%. Não adianta atacar o efeito. Deve se atentar à causa. E ela está nos ensinos básico e fundamental”, diz.
O coordenador do Complexo Jurídico Damásio de Jesus, Marcelo Cometti, discorda. Para ele, o Exame de Ordem começou a ficar mais difícil por volta de 2002. “Na década de 90, por exemplo, o nível de exigência era menor. A prova está exigindo cada vez mais dos candidatos. Isso é fato”, comenta.
Mercantilização
Para Braz Martins, o pequeno número de aprovados prova que há mercantilização do ensino jurídico. Segundo ele, existem muitas faculdades mais preocupadas em explorar a atividade financeira que uma graduação oferece do que com a efetiva formação do futuro advogado.
“Não adianta a faculdade ter uma bela biblioteca, instalações suntuosas, professores da melhor qualidade se não fazem um processo de seleção. O fenômeno que se visualiza hoje é porque existe cerca de 45 mil vagas por ano no Estado de São Paulo, mas não há disputa pelas vagas acadêmicas, não há seleção”, afirma.
No entendimento de Braz, o desenvolvimento do estudante durante o curso também é comprometido, já que a maioria das instituições de ensino evitam reprovar o candidato com medo de que ele troque de faculdade.
“A primeira seleção que o cidadão enfrenta é o Exame de Ordem, sendo que o correto seria ele ser avaliado no vestibular e ver se ele tem aptidão para um curso superior”.
Próximo Exame
Os interessados em prestar o 134º Exame de Ordem poderão se inscrever até o dia 14 de novembro de 2007. A primeira fase acontece em 9 de dezembro. A segunda, em 20 de janeiro de 2008.
No período de inscrição, das 10h às 16 horas, o site da Vunesp (Fundação para o Vestibular da Universidade Estadual Paulista) também disponibiliza o boleto para o pagamento da taxa de inscrição, de R$ 180, que deve ser paga em qualquer agência bancária. O pedido deve ser feito na Ficha de Inscrição pela Internet, no site da Vunesp, entidade organizadora do Exame de Ordem, ou por meio de link no site da OAB-SP. O boleto autenticado é o único comprovante de inscrição aceito.
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