Promotor acusado de matar motoqueiro usou arma irregular, diz MP-SP

Rosanne D'Agostino - 07/01/2008 - 17h08

A arma utilizada pelo promotor Pedro Baracat Guimarães Pereira, 42, que desferiu cerca de onze tiros causando a morte de um motoqueiro Firmino Barbosa, no sábado (5/1), em São Paulo, era de uso exclusivo das Forças Armadas. A ocorrência é investigada pelo MP-SP (Ministério Público de São Paulo).

Segundo o procurador-geral de Justiça de SP, Rodrigo Pinho, apesar de o promotor possuir direito a posse de arma de fogo, por prerrogativa da profissão, ele não poderia estar com uma pistola 9mm que carregava na noite do crime, conforme boletim de ocorrência. Ainda segundo o procurador-geral, a arma não estava em nome do promotor.

Ele afirma que a origem da arma será investigada, para confirmar se realmente se trata de uma 9mm. Para isso, o Ministério Público aguarda os laudos relativos à arma do crime. Também espera os referentes à posição dos disparos entre outros necessários para decidir se apresenta denúncia contra Pedro Baracat.

A Procuradoria já ouviu testemunhas durante as investigações do caso, como os dois tenentes que atenderam a ocorrência e a promotora de Justiça Regiane Zampar, que estava com Pereira no dia do crime. Mas ainda deve ouvir as vítimas que reconheceram o motoqueiro como assaltante e o próprio promotor, que deve dar sua versão sobre os fatos, ainda sem data definida.

Baracat, que atua no Ministério Público desde 1988, não tem acontecimentos semelhantes a esse no currículo. Ele havia sido designado para atuar no Gecep (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), mas, para evitar conflito, voltou a exercer sua função de promotor de Justiça no Fórum da Barra Funda nesta segunda-feira (7/1).

Ocorrência
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, o motoqueiro foi baleado pelo promotor na avenida República do Líbano, zona sul. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.

O promotor alegou ao Deic (Departamento de Investigações sobre Crime Organizado) que, após pedir seu relógio, o motoqueiro levou a mão à cintura, o que o fez pensar que o homem pegaria uma arma. Assim, ele disparou reagindo ao assalto. Duas testemunhas confirmaram a versão.

Firmino Barbosa não tinha antecedentes criminais e a família nega que ele seja um assaltante. Ainda não foi confirmado o número de disparos e se o motoqueiro estava armado. A polícia apreendeu cinco relógios com Firmino, sua moto e a pistola.

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