Candidatos trocam farpas em debate por PGJ

Rosanne D'Agostino - 07/03/2008 - 12h02

Racha, caso Thales Schoedl, informatização e estrutura de Promotorias estão entre os temas discutidos pelos quatro candidatos ao cargo de procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo que participaram nesta sexta-feira (7/2) de um debate público a fim de discutir idéias e apresentar propostas para um futuro mandato frente ao Ministério Público paulista.

O debate foi transmitido ao-vivo pela APMP (Associação Paulista do Ministério Público) em seu site. Os procuradores José Benedito Tarifa, Paulo Afonso Garrido de Paula, José Oswaldo Molineiro e Fernando Grella Vieira compareceram à sede do MP-SP onde aconteceram as discussões.

Eles disputam o lugar do atual procurador-geral, Rodrigo César Rebello Pinho, que não concorre por já ter sido reeleito. A mediação dos trabalhos está a cargo da procuradora de Justiça Evelise Pedroso Teixeira Prado Vieira.

Debate
O encontro foi dividido em cinco blocos. No primeiro, candidato perguntou para candidato, com tempo de um minuto para a pergunta e de três para a resposta. No segundo, foram quatro perguntas de membros do MP-SP previamente sorteadas. O terceiro bloco foi idêntico ao primeiro e o quarto, idêntico ao segundo. Por fim, os candidatos apresentaram suas considerações finais.

O segundo bloco começou com um tema polêmico, trazido por um dos promotores presentes, o caso Thales Ferri Schoedl, para, em seguida, continuar com uma troca de farpas entre Molineiro e Paulo Afonso, a respeito de um suposto racha ocorrido antes de anunciada a candidatura oficial de Pinho, a de Molineiro.

Para Fernando Grella, a atitude de Pinho, ao questionar junto ao CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) a decisão do Órgão Especial da instituição que manteve o promotor substituto no cargo, “não foi o melhor encaminhamento”. “É preciso muito cuidado, porque esses posicionamentos arranham a instituição. Se o Órgão Especial decidiu, foi uma decisão refletida e merece todo o respeito, ainda mais por parte dos vencidos”, afirmou referindo-se a Pinho, que apresentou a denúncia contra Schoedl.

Logo um seguida, a platéia levantou o tema e a briga entre dois dos participantes. Houve racha em conseqüência da escolha do candidato oficial pelo atual procurador? Para Paulo Afonso, a forma de escolha foi “antidemocrática”. “A opção foi a pior, uma consulta informal. O procurador-geral ligava e perguntava quem era o melhor candidato, em alguns casos interferia. Eu tenho direito de pedir voto, mas não tenho direito de perguntar em quem vai votar”, criticou.

A afirmação arrancou de Molineiro um pedido de direito de resposta, aceito pela mesa. Pouco antes, um promotor presente confirmou que recebeu uma ligação da procuradoria e que sentiu-se constrangido a ter de revelar seu voto. “Não aceito a pecha de que isto foi direcionado”, retaliou Molineiro. “A posição do Garrido é um desrespeito aos que acham que sou o melhor candidato.”

“A questão é apenas demonstrativa da forma de condução atual do MP, a maneira como se comporta, e de como vai ser levada da mesma maneira em uma gestão posterior”, retrucou Garrido, para ouvir de Molineiro: “Mas que o Paulo brigou pra ser oficial, brigou...” E Garrido finalizou: “Estou muito leve de não ser o candidato oficial. Graças a Deus que não sou.”

Estrutura
Ânimos acalmados, os demais blocos proporcionaram aos candidatos espaço para apresentar propostas para problemáticas recorrentes, como a preocupação com as condições precárias das estruturas das Promotorias, dos locais de trabalho de promotores e a necessidade de informatização da instituição.

“Temos viajado pelas Promotorias e o maior problema é a estrutura. Para isso, pretendemos criar auxiliares jurídicos e alugar prédios a fim de melhorar a prestação de serviço dos promotores à sociedade”, disse Tarifa.

Para Molineiro, a solução seria um “levantamento geral de todas as acomodações e uma conversa com o Tribunal de Justiça de São Paulo, a fim de pedir que o promotor seja respeitado em seu local de trabalho”. Segundo ele, a Secretaria de Justiça de SP já possui um programa para a construção de anexos.

Grella ampliou a discussão para a questão da informatização. “Há uma proposta para criar um banco de dados, porque nossa instituição carece de informatização. O MP não tem sequer intranet. É preciso modernizar, ter uma ferramenta não somente na área administrativa, como de gestão. Não há como ser eficiente sem um sistema de gestão de informações”, completou.

Para finalizar, Paulo Afonso afirmou que, além de estruturas, também é necessário respeito aos membros do MP, seja qual for a instância. “Quando falo de respeito, é respeito político. O encaminhamento de projetos leva o MP à falsa política de dizer que o projeto foi encaminhado, mas o Órgão Especial não aprovou. O que falta é negociação. O MP tem de levar em consideração todos os seus integrantes”, cobrou.

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