Se Serra nomear, Molineiro deve aceitar ser novo procurador-geral de Justiça

Rosanne D'Agostino - 19/03/2008 - 15h59

Se, nos últimos dez anos, o candidato mais votado foi nomeado procurador de Justiça em São Paulo, por lei, três são as opções do governador José Serra (PSDB) para comandar, pelos próximos dois anos, o MP-SP (Ministério Público de São Paulo).

A maior disputa, no entanto, está restrita a dois procuradores de frontes opostos na Procuradoria: Fernando Grella, que tem a seu favor uma vitória com 931 votos de seus pares contabilizados no último sábado (15/3), e José Oswaldo Molineiro, candidato oficial do atual procurador-geral, Rodrigo Pinho, segundo lugar com 669 menções.

E 2008 pode favorecer a quebra do protocolo como 1996. Naquele ano, o então segundo colocado Luiz Antonio Guimarães Marrey foi nomeado por Mário Covas (PSDB), contra o procurador eleito pela maioria, José Emmanuel Burle Filho, do grupo do ex-governador Luiz Antônio Fleury Filho (hoje no PTB) e que concorria à reeleição.

Doze anos depois, Marrey é secretário estadual de Justiça do governador e deve defender a permanência de seu grupo frente à Procuradoria. A nomeação de Grella significaria o fim dessa dinastia, e Molineiro parece estar disposto a aceitar o cargo.

“A questão da nomeação é prerrogativa constitucional do chefe do poder Executivo estadual e, enquanto permanecer vigente, somente nos cabe respeitá-la”, afirmou o candidato de Pinho em entrevista a Última Instância na semana da eleição.

Já Grella preferiu não se posicionar sobre o assunto. “Quanto ao que fará o digno governador, não pertence a mim dizê-lo, até por respeito a sua discricionariedade, amparada em dispositivo constitucional”, afirmou. Mas deixou escapar o que esperava da formação da lista tríplice: “Não refletirá, de forma alguma, quadros políticos momentâneos, voláteis.”

A fala de Grella reflete o resultado de uma eleição marcada pelo que foi chamado internamente de racha da situação. Ele pode ter sido beneficiado por uma candidatura alternativa à de Molineiro, o nome de Paulo Afonso Garrido de Paula, terceiro escolhido por promotores e procuradores.

A polêmica girou em torno de uma consulta prévia feita informalmente entre membros do MP. Promotores afirmam ter recebido uma ligação pedindo que adiantassem seus votos. O mais citado seria apoiado por Pinho. Em debate público pré-eleitoral, a questão foi levantada pela platéia e provocou faíscas às vésperas do pleito.

A lista tríplice com os três nomes foi enviada na segunda-feira para Serra, que terá 15 dias para definir a escolha. A Conamp (Associação Nacional dos Membros do Ministério Público) enviou ofício ao governador pedindo que ele nomeie o mais votado. Mas, nos bastidores, promotores e procuradores não arriscam dizer o que acontecerá. Molineiro está de férias e Grella não dará entrevistas até a nomeação.

Serra está em Amsterdã, na Holanda, para um congresso sobre transporte público, com volta marcada para esta quinta-feira. Como é véspera do feriado de Páscoa, a decisão deve sair somente na próxima semana.

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