Justiça decreta prisão temporária de pai e madrasta de Isabella

Rosanne D'Agostino - 02/04/2008 - 20h21

O juiz Mauricio Fossen, da 2ª Vara do Juri do Fórum de Santana decretou na noite desta quarta-feira (2/4) a prisão temporária, por 30 dias, do pai e da madrasta da menina Isabela Nardoni, que caiu do 6º andar de um prédio na capital paulista na noite do sábado (29).

O consultor jurídico Alexandre Nardoni, de 29 anos, e a madrasta Anna Carolina Trotta Peixoto, 24, estavam com Isabella no dia do crime, investigado como homicídio doloso.

O pedido de prisão foi protocolado no fórum de Santana pelo delegado que preside o inquérito policial na tarde desta quarta e, após parecer favorável do Ministério Público paulista, foi aceito pela Justiça. Na mesma decisão, o juiz determinou ainda o sigilo do inquérito policial.

Depoimentos
A mãe biológica da menina, a bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira, 23, prestou depoimento no 9º DP do Carandiru nesta quarta. Ela afirmou que quer apenas "que a justiça seja feita".

Ontem (1º), o advogado do pai e da madrasta, Ricardo Martins, afirmou que seus clientes são inocentes. A delegada titular da 4ª Delegacia Seccional Norte de São Paulo, Elisabete Sato, pediu cautela. Segundo ela, ainda há muitas contradições no caso.

Seis pessoas já foram ouvidas pela polícia, entre elas vizinhos e um policial militar que atendeu a ocorrência. Uma das testemunhas afirmou ter ouvido gritos de "Pára, pai", vindos do apartamento.

Para o advogado Ricardo Martins, os gritos são "interpretativos", já que a menina deveria estar chamando pelo pai, pedindo socorro.

Ainda não foi marcada a reconstituição do crime, que só deve ocorrer após concluídas as perícias e os resultados dos exames pelo IML (Instituto Médico Legal).

Crime
À polícia, o pai de Isabella afirmou ter chegado no edifício onde mora acompanhado da menina, da madrasta e dos outros dois filhos pequenos do segundo casamento, de três e de onze meses. Ele disse ter subido sozinho e, deixado Isabella no quarto. Ela morava com a mãe, e ficava com o pai a cada 15 dias.

Quando voltou com os demais, informou que a luz do quarto dela estava acesa e a tela de proteção da janela, cortada. A perícia, no entanto, apurou que a tela estava partida no quarto dos irmãos. Também havia sangue no local e no corredor de entrada do apartamento. O Corpo de Bombeiros foi acionado, houve tentativa de reanimação, mas sem sucesso.

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