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Informações do caso Isabella são de domínio público, diz promotor
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Rosanne D'Agostino

O promotor Francisco José Taddei Cembranelli, que acompanha o inquérito que investiga a morte da garota Isabella Nardoni, de 5 anos, afirmou em nota nesta segunda-feira (7/4) que "praticamente todos os fatos que constam e são investigados no inquérito foram divulgados pela imprensa nacional, seja antes ou depois da decretação do sigilo".

Isabella caiu do 6º andar do prédio onde moram o pai dela e a madrasta, na Zona Norte de São Paulo, no dia 29 do mês passado.

A afirmação do promotor é referente à suspensão do sigilo do caso por decisão do juiz Mauricio Fossen, do 2º Tribunal do Júri de São Paulo. Ele levou em conta que o Ministério Público, em entrevistas à imprensa, revelou informações relevantes à investigação que estavam sob sigilo. "O MP demonstrou que o sigilo das informações não constitui formalidade imprescindível", concluiu o magistrado.

Horas depois, o delegado Calixto Calil Filho, responsável pelo inquérito, determinou novamente que o procedimento corra sob sigilo. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de SP, o juiz deixou a cargo do delegado a retomada do sigilo, com base no artigo 20 do Código do Processo Penal. O segredo é relativo apenas aos procedimentos adotados pela Polícia Civil.

O dispositivo prevê que "a autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade". O Ministério Público, as partes e os advogados têm acesso pleno a todas as informações.

Segundo o promotor, os fatos são de "domínio público e impossíveis de serem apagados da mente da chocada sociedade brasileira". Ao MP, continua, "cabe apurar devidamente".

Habeas corpus
O pai de Isabella, o consultor jurídico Alexandre Nardoni, 29 anos, e a madrasta Anna Carolina Trotta Peixoto, 24, são tratados como suspeitos do crime investigado como homicídio.

Eles estão presos em celas individuais de duas delegacias da capital desde que foi decretada a temporária, por 30 dias, na noite de quarta (2/4) também pelo juiz Mauricio Fossen. A defesa do casal já entrou com habeas corpus para tentar libertá-los. A liminar pode ser concedida a qualquer momento.

Investigações
O promotor pediu cautela para que nenhum inocente seja acusado injustamente. Até o momento, foram tomados 15 depoimentos.

O promotor revelou a Última Instância com exclusividade na última sexta (4/4) que a palavra "ciúme foi mencionada muitas vezes no inquérito". Mas, com as investigações sob sigilo, não pôde dizer a quem está relacionado o suposto ciúme.

Contradições
O promotor também viu contradições e aspectos obscuros nos depoimentos do pai e da madrasta da menina que, segundo ele, possui “trechos fantasiosos”. Ele pediu cautela até a conclusão do inquérito, que deve ocorrer, ainda conforme Cembranelli, antes do previsto.

Um deles seria o fato de o pai de Isabella ter comentado na hora do acidente que a porta do apartamento havia sido arrombada. “A perícia já constatou que não houve arrombamento algum”, afirmou.

Outra suspeita está sobre o sangue encontrado por peritos na porta do apartamento, omitido no depoimento do pai à polícia. “Perto da porta, os peritos afirmavam que o sangue era muito visível”, completa Cembranelli.

Defesa
A mãe biológica da menina, a bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira, 23, prestou depoimento no 9º DP do Carandiru na quarta (2). Ela afirmou que quer apenas "que a justiça seja feita".

O advogado do pai e da madrasta, Ricardo Martins, afirma que seus clientes são inocentes. Uma das testemunhas disse ter ouvido gritos de "Pára, pai", vindos do apartamento que, para o defensor, são "interpretativos", já que a menina deveria estar chamando pelo pai, pedindo socorro.

Segundo outro dos advogados do casal, Marco Polo Levorin, eles não representam uma ameaça às investigações e nunca se furtaram a colaborar com a polícia.

Nardoni e a mulher ainda enviaram uma carta à imprensa na qual afirmam que "a verdade prevalecerá". O promotor acredita que a prova é precária. "Qualquer um pode escrever uma carta e juntar ao processo", diz.

Ainda não foi marcada a reconstituição do crime, que só deve ocorrer após concluídas as perícias e os resultados dos exames pelo IML (Instituto Médico Legal).

Crime
À polícia, o pai de Isabella afirmou ter chegado no edifício onde mora acompanhado da menina, da madrasta e dos outros dois filhos pequenos do segundo casamento, de três e de onze meses. Ele disse ter subido sozinho e, deixado Isabella no quarto. Ela morava com a mãe, e ficava com o pai a cada 15 dias.

Quando voltou com os demais, informou que a luz do quarto dela estava acesa e a tela de proteção da janela, cortada. A perícia, no entanto, apurou que a tela estava partida no quarto dos irmãos. Também havia sangue no local e no corredor de entrada do apartamento. O Corpo de Bombeiros foi acionado, houve tentativa de reanimação, mas sem sucesso.

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Segunda-feira, 7 de abril de 2008

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