Defesa pede novo adiamento de júri de Farah Jorge Farah
Rosanne D'Agostino - 08/04/2008 - 18h30
De acordo com o promotor responsável pelo caso, Alexandre Marcos Pereira, a defesa alega que uma das advogadas da equipe precisa de exames médicos e repouso. No entanto, não são mencionados a data e o período para o repouso. O exame seria feito por um urologista.
"Cabe ao juiz dizer se haverá o adiamento, mas acho a argumentação insuficiente", afirmou o promotor.
Os advogados de Farah foram procurados pela reportagem para comentar o pedido. Segundo informações do escritório de Roberto Podval, ele está em uma reunião e não pode responder no momento.
Júri
O médico é acusado de homicídio triplamente qualificado, destruição, ocultação e vilipêndio a cadáver. Ele é réu confesso e permaneceu preso preventivamente durante quatro anos, até conseguir habeas corpus, em maio de 2007, no STF (Supremo Tribunal Federal).
A primeira redesignação do júri, que estava marcado para o dia 1º de abril, deveu-se à ausência anunciada de uma das testemunhas. Como se tratava do segundo adiamento pelo mesmo motivo, em caso de não comparecimento, a testemunha poderá ser punida por crime de desobediência.
O Crime
Em 24 de janeiro de 2003, Maria do Carmo foi até o consultório de Farah, onde os dois teriam tido uma discussão. A defesa alega que a ex-amante o perseguia e tentou ferí-lo com uma faca. Por isso, ele teve um surto psicótico e, em legítima defesa, a matou. A faca não foi encontrada pela polícia, mas testemunhas confirmam que eles mantinham um caso sem o conhecimento do marido da vítima.
Na denúncia, o Ministério Público afirma que o crime foi cometido por motivo torpe. Pela vontade de pôr fim a um relacionamento amoroso conturbado, o médico teria criado uma armadilha e matado Maria do Carmo, empregando recurso que impossibilitou a sua defesa.
Em seguida, vilipendiou seu cadáver (abusou sexualmente), seccionando-lhe o corpo em nove partes, encontradas em cinco sacos de lixo no carro do médico. Farah é acusado de tentar ocultar o corpo, com incisões que lhe arrancaram impressões digitais e órgãos internos. O procedimento teria durado dez horas.
Além disso, ele teria dissecado o corpo para torná-lo 60% mais leve. Desse modo, poderia escondê-lo e carregá-lo mais facilmente. Segundo o MP-SP, ele "inovou artificiosamente o estado de lugar, de coisa e pessoa, com evidente fim de destruir provas e induzir em erro a autoridade policial, o juiz e os peritos do Estado".
No sábado, 25 de janeiro do mesmo ano, Farah almoçou com os pais. Pediu auxílio e colocou os sacos plásticos nos quais estavam os pedaços do corpo da vítima no interior do carro deles. Ao chegar ao apartamento deles, teria transferido os sacos para o seu próprio carro, que só foi localizado no dia 27 de janeiro, em uma garagem.
Farah foi preso preventivamente no dia 28 de janeiro, após confessar o crime ao porteiro do prédio e tentar suicídio. Ele diz não se lembrar de nada depois da ameaça com a faca.
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