Inquérito vincula casal a ferimentos em Isabella, diz promotor
Rosanne D'Agostino - 11/04/2008 - 18h16
A afirmação é feita logo após a soltura do casal, detido em duas delegacias da capital paulista desde o último dia 3 de abril, como suspeitos pela morte de Isabella. A menina foi jogada no último dia 29 de março, do 6° andar do prédio em que morava o pai, na zona norte de São Paulo. O caso é investigado como homicídio.
Em coletiva de imprensa no Fórum de Santana, o promotor afirmou que, no atual momento do inquérito, "testemunhas idôneas e informações categóricas do Instituto de Criminalística já permitem que se faça a vinculação dos ferimentos presentes em Isabella antes da queda [marcas de estrangulamento e um corte na testa] ao casal".
Alexandre Nardoni, de 29 anos, foi solto do 77º DP, em Santa Cecília, por volta das 14h30, sob grande tumulto, gritos de "Justiça" e "assassino". Já a madrasta de Isabella teria chorado muito na cela, ao saber da concessão do habeas corpus pela televisão. Ela foi liberada pouco depois do 89º DP, no Morumbi.
Em sua decisão, o desembargador Caio Eduardo Canguçu de Almeida, da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, entendeu não haver, até o momento, prova alguma de que o casal possa comprometer, dificultar ou impedir a apuração dos fatos.
Ambos foram encaminhados ao IML (Instituto Médico Legal), como é praxe, e seguiram, segundo seus advogados, para local seguro. segundo Marco Polo Levorin, a liminar atende o Estado Democrático de Direito. "Não se pode fazer da investigação uma peça de acusação”, disse logo após a libertação do casal.
"Não é uma crítica, mas penso em sentido contrário ao desembargador. Penso que a decisão do juiz [Mauricio Fossen, da 2ª Vara do Juri do Fórum de Santana, que ordenou a prisão temporária do casal em 2/4] estava bem fundamentada", diz o promotor de Justiça. "Esta [liminar], é apenas uma decisão processual, que nada tem a ver com provas e responsabilidade".
Para o membro do Ministério Público de São Paulo, que chegou a levantar a possibilidade de uma ação penal no caso, a soltura compromete a perícia e prejudica as investigações do caso. "Ainda existe uma gama de provas à disposição da polícia", defendeu.
Contradições
Cembranelli voltou a afirmar que "existem elementos bastante contudentes que abalam a versão do casal até o momento". Segundo ele, algumas testemunhas relataram no inquérito que, dez minutos antes da queda de Isabella, houve uma "ferrenha discussão" no apartamento.
A voz de Anna Jatobá foi reconhecida e muitos palavrões foram ouvidos. Relatos também revelam os gritos de uma criança, que o promotor diz não saber se foram de Isabella.
Outros suspeitos
Segundo Cembranelli, ainda é prematuro descartar a possibilidade de um terceiro suspeito ter participado da ação. "Mas não é o que a investigação aponta."
Sobre os motivos que levariam ao crime, uma das suspeitas é de que o ciúme da madrasta pela ex-mulher de Nardoni, Anna Carolina Oliveira, mãe de Isabella, teria influenciado a discussão. O promotor já havia adiantado a Última Instância que o ciúme é parte corrente no inquérito.
Ainda segundo o promotor, Anna Jatobá, em nenhum momento, disse que sofreu ferimentos no dia da morte de Isabella. Ele refere-se à hipótese levantada por um boletim de ocorrência divulgado pela imprensa de que ela sofreria agressões do marido.
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