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| Para promotor, não é hora de pedir nova prisão do casal |
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Rosanne D'Agostino
Com base em informações preliminares do inquérito que apura a morte da menina Isabella Nardoni, 5 anos, o promotor do caso, Francisco José Taddei Cembranelli, afirmou na tarde desta sexta-feira (11/4) que é possível vincular os ferimentos na garota ao casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta da criança, respectivamente. No entanto, ainda não é hora de pedir uma nova prisão.
A afirmação foi feita logo após a soltura do casal, detido em duas delegacias da capital paulista desde o último dia 3 de abril, como suspeitos pela morte de Isabella. A menina foi jogada no último dia 29 de março, do 6° andar do prédio em que morava o pai, na zona norte de São Paulo. O caso é investigado como homicídio.
Em coletiva de imprensa no Fórum de Santana, o promotor afirmou que, no atual momento do inquérito, "testemunhas idôneas e informações categóricas do Instituto de Criminalística já permitem vincular o casal aos ferimentos presentes em Isabella antes da queda [marcas de estrangulamento e um corte na testa] e ao que ocorreu cena do crime".
Contradições Cembranelli voltou a dizer que "existem elementos bastante contudentes que abalam a versão do casal". "Testemunhas relataram no inquérito que, dez minutos antes da queda de Isabella, ouviram uma ferrenha discussão entre o casal no interior do apartamento", afirmou.
Segundo o promotor, a voz de Anna Jatobá foi reconhecida e muitos palavrões foram ditos. Depoimentos também revelam os gritos de uma criança. "Não é possível concluir que se tratava de Isabella", completou.
Habeas corpus Alexandre Nardoni, de 29 anos, foi solto do 77º DP, em Santa Cecília, por volta das 14h30, sob grande tumulto, gritos de "Justiça" e "assassino". Já a madrasta de Isabella teria chorado muito na cela, ao saber da concessão do habeas corpus pela televisão. Ela foi liberada pouco depois, às 15h30, do 89º DP no Morumbi. "Não sou assassina", disse.
Em sua decisão, o desembargador Caio Eduardo Canguçu de Almeida, da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, entendeu não haver, até o momento, prova alguma de que o casal possa comprometer, dificultar ou impedir a apuração dos fatos.
Ambos foram encaminhados ao IML (Instituto Médico Legal), como é praxe, e seguiram, segundo seus advogados, para local seguro. Segundo Marco Polo Levorin, a liminar atende o Estado Democrático de Direito e Nardoni e a mulher não correm risco soltos. "Não se pode fazer da investigação uma peça de acusação”, disse logo após a libertação do casal.
Nova prisão "Não é uma crítica, mas penso em sentido contrário ao desembargador. Penso que a decisão do juiz [Mauricio Fossen, da 2ª Vara do Juri do Fórum de Santana, que ordenou a prisão temporária do casal em 2/4] estava bem fundamentada", diz o promotor de Justiça. "Esta [liminar], é apenas uma decisão processual, que nada tem a ver com provas e responsabilidade".
Para o membro do Ministério Público de São Paulo, que chegou a levantar a possibilidade de uma ação penal no caso, a soltura compromete a perícia e prejudica as investigações do caso. "Ainda existe uma gama de provas à disposição da polícia", defendeu.
No entanto, o novo pedido ainda não será feito. "O mais correto é esperar os resultados dos laudos do IML, do Instituto de Criminalística e a conclusão das investigações. Ainda não é hora", concluiu.
A delegada seccional Elizabete Sato também não questionou a decisão, mas defendeu a prisão. Segundo ela, a polícia não se precipitou ao requerer a temporária, mesmo sem ter acesso aos laudos finais da perícia.
A polícia espera concluir o caso dentro dos 30 dias previstos em lei. Além da conclusão dos laudos, estão previstas novas oitivas com testemunhas. Já foram ouvidas 44 pessoas. A Justiça também autorizou a quebra dos sigilos telefônicos do casal, dados que estão sob análise.
Outros suspeitos Segundo Cembranelli, ainda é prematuro descartar a possibilidade de um terceiro suspeito ter participado da ação. "Mas não é o que a investigação aponta."
Sobre os motivos que levariam ao crime, uma das suspeitas é de que o ciúme da madrasta pela ex-mulher de Nardoni, Anna Carolina Oliveira, mãe de Isabella, teria influenciado a discussão. O promotor já havia adiantado a Última Instância que o ciúme é parte corrente no inquérito.
Ainda conforme o promotor, Anna Jatobá, em nenhum momento, disse que sofreu ferimentos no dia da morte de Isabella. Ele refere-se à hipótese levantada por um boletim de ocorrência divulgado pela imprensa de que ela sofreria agressões do marido.
Crime À polícia, o pai de Isabella afirmou ter chegado no edifício onde mora acompanhado da menina, da madrasta e dos outros dois filhos pequenos do segundo casamento, de três e de onze meses. Ele disse ter subido sozinho e, deixado Isabella no quarto. Ela morava com a mãe, e ficava com o pai a cada 15 dias.
Quando voltou com os demais, informou que a luz do quarto dela estava acesa e a tela de proteção da janela, cortada. A perícia, no entanto, apurou que a tela estava partida no quarto dos irmãos. Também havia sangue no local e no corredor de entrada do apartamento. O Corpo de Bombeiros foi acionado, houve tentativa de reanimação, mas sem sucesso.
Leia mais: Pai e madrasta não correm risco soltos, afirma advogado Justiça concede liberdade a pai e madrasta de Isabella Ciúme pode ser palavra-chave de mistério sobre morte de Isabella Delegado devolve sigilo às investigações do caso Isabella
Sexta-feira, 11 de abril de 2008
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