Farah é manipulador e começou a dissecar vítima viva, diz promotor

Rosanne D'Agostino - 17/04/2008 - 12h07

Um personagem manipulador que manteve a frieza para dissecar sua ex-amante ainda viva. Este é o perfil do ex-cirurgião plástico Farah Jorge Farah traçado pelo promotor Alexandre Marcos Pereira em sua argumentação no júri popular do réu, que ocorre Fórum de Santana, zona norte da capital paulista.

Cinco mulheres e dois homens decidem nesta quinta-feira (17/4) o destino de Farah, acusado pela morte e esquartejamento da dona de casa e ex-amante Maria do Carmo, 47.

O terceiro dia de júri popular, presidido pelo juiz Rogério de Toledo Pierri, teve início por volta das 10h. Após a argumentação do promotor, que só acabou às 14h25, o julgamento foi interrompido para horário de almoço e agora será a vez da exposição da defesa.

Aos 59 anos, Farah é réu em processo por homicídio duplamente qualificado (por motivo torpe e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima - dissimulação) e ocultação de cadáver. O corpo só foi encontrado três dias depois do crime, ocorrido em janeiro de 2003, dividido nove pedaços escondidos em cinco sacos de lixo, no porta-malas do carro do médico. Farah diz apenas lembrar-se de uma luta corporal com a vítima, que o perseguia insistentemente havia cinco anos, desde que terminou o relacionamento amoroso com ela. A pena pode chegar a 30 anos de prisão.

“Farah tomou uma série de cautelas, atraiu Maria do Carmo com a promessa de fazer uma lipoaspiração e conduziu tudo de maneira racional, de modo a eliminar uma pedra em seu sapato”, diz o promotor.

Ele refere-se a cena do crime que, conforme os autos, foi deduzida pelas perícias. Pelas investigações, Maria do Carmo representaria uma ameaça à Farah porque delataria à vigilância sanitária as péssimas condições de seu consultório.

“O modo de eliminar esse obstáculo foi terrível. A perícia constatou que foi aplicada uma anestesia que fez com que a ex-amante perdesse o sentido e, em seguida, o médico começou a dissecá-la. Foi comprovado que três ferimentos ocorreram enquanto ela ainda estava viva”, disse o promotor enquanto mostrava as fotos da vítima esquartejada aos jurados.

Para o promotor, Farah passou dos limites da ética profissional e representa um personagem que finge emoções por interesse.

“Ele sistematicamente abusava de suas pacientes. Tinha um harém. Violou a ética e a responsabilidade da profissão, pois era seu dever evitar esse envolvimento”, afirmou o promotor.

Ainda segundo Pereira, que citou laudo de peritos ouvidos no júri, Farah tem traços de teatralidade e está representando um personagem como fez no restante de sua vida. “Coincidentemente, inclusive tropeçou diante das câmeras neste mesmo júri e fez questão de contar isso ao juiz mesmo sem este ter pedido”.

Ele defendeu que o então cirurgião, além de não ser réu confesso, o que contaria como atenuante na pena, apenas revelou o que fizera com medo da visita do marido de Maria do Carmo um dia após o esquartejamento. “Ele sofre de uma amnésia seletiva, só lembra o que lhe interessa”, argumentou.

Além disso, citou outros casos de mulheres, todas com perfil semelhante ao de Maria do Carmo (casadas, com relacionamento estável), que acusam Farah de atentado violento ao pudor, abuso sexual e estupro.

“Absolver será consagrar a impunidade”, disse o promotor.

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