Farah agradece emocionado a advogado de defesa

Rosanne D'Agostino - 17/04/2008 - 21h54

O advogado de Farah Jorge Farah, Roberto Podval, disse que esperava mais e que Farah o agradeceu emocionado.

"Não deixa de ser uma vitória, mas vamos recorrer."

Segundo Podval, houve nulidades no júri, como a inversão dos peritos ouvidos como testemunhas e os jurados julgaram contra a prova dos autos —o laudo dava conta de que Farah é semi-imputável.

O júri popular composto por cinco mulheres e dois homens decidiu condenar o ex-cirurgião plástico Farah Jorge Farah a 13 anos de reclusão e dez dias multa pelo esquartejamento e morte da dona-de-casa Maria do Carmo Alves, em janeiro de 2003.

A sentença foi proferida pelo juiz Rogério de Toledo Pierri, do 2° Tribunal do Júri, no Fórum de Santana (zona norte de São Paulo). Farah teve como atenuante a confissão do crime.

Mesmo com a condenação, Farah poderá sair do Fórum de Santana e ir para casa. A seu favor, consta um habeas corpus proferido pelo Supremo Tribunal Federal, que o libertou em 2007.

O ex-cirurgião já cumpriu quatro anos de pena. Assim, restam nove anos para serem cumpridos em regime fechado, segundo a sentença, "considerando a gravidade dos delitos e a periculosidade do réu". Mas, em se tratando de prisão processual, poderá permanecer solto até o fim do processo.

Ele tem o direito de responder ao processo em liberdade até o trânsito em julgado (fase em que não cabem mais recursos), a exemplo do que aconteceu com o jornalista Antonio Marcos Pimenta Neves em maio de 2006.

O júri popular durou três dias. Vinte e duas testemunhas foram ouvidas no julgamento, que começou com um atraso de cerca de seis horas na terça-feira.

Aos 59 anos, Farah foi julgado em processo por homicídio duplamente qualificado (por motivo torpe e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima —dissimulação) e ocultação de cadáver, por matar a dona-de-casa Maria do Carmo Alves em seu consultório.

O corpo só foi encontrado três dias depois do crime, ocorrido em janeiro de 2003, dividido em nove pedaços escondidos em cinco sacos de lixo, no porta-malas do carro do médico.

Farah diz apenas lembrar-se de uma luta corporal com a vítima, que o perseguia insistentemente havia cinco anos, desde que terminara o relacionamento amoroso com ela.

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