Fazendeiro nega participação em morte de missionária Dorothy no Pará

Da Redação - 05/05/2008 - 16h53

Começou hoje o novo julgamento de Vitalmiro Moura e Rayfran Sales, acusados de participação e execução da missionária norte-americana Dorothy Stang, morta em fevereiro de 2005, aos 73 anos, em Anapú, no Pará. O julgamento acontece no salão do júri do Fórum de Belém, capital paraense.

A sessão foi aberta às 8h, pelo juiz Raimundo Moisés Flexa, que interrogou primeiro o fazendeiro Vitalmiro Moura. Em seguida foi a vez de Rayfran responder às perguntas do juiz, do promotor e dos advogados assistentes de acusação e dos advogados de defesa.

A expectativa é que a sentença condenatória para os réus seja confirmada neste julgamento. A previsão é que a sessão dure dois dias. Eles já foram julgados e condenados num primeiro júri a 30 e 27 anos de reclusão, respectivamente.

No total serão ouvidas nove pessoas, duas delas são testemunhas da acusação e as demais da defesa. Elas estão numa sala separada e serão ouvidas depois que Rayfran Sales for interrogado em plenário do júri.

Em interrogatório prestado durante a manhã, o fazendeiro negou que tivesse mandado matar a missionária. Ele disse também que o lote de terra "55", era de sua propriedade e que teria vendido uma parte desse lote à Amair Feijoli Cunha (o Tato).

O fazendeiro Biba alega que não teve nenhuma participação no homicídio. O fazendeiro responde como mandante da morte da missionária, conforme a acusação, motivada por disputa de lote de uma área que estava sendo destinada a assentar colonos do PDS (Projeto de Desenvolvimento Sustentável).

Vitalmiro não conseguiu responder às perguntas formulada por um dos assistentes de acusação, o advogado Aton Fon Filho, sobre a documentação e a escritura pública comprovando a negociação com Tato de parte do lote, teria sido dentro da lei. Bida afirmou que não conhecia os dois executores Raifran e Clodoaldo, e que “só de vista conhecia os dois que trabalhavam para Tato”.

Ao ser interrogado, Rayfran reforça as declarações prestadas antes por Vitalmiro, corroborando com a tese do fazendeiro de negativa de autoria.

No interrogatório prestado, Rayfran afirma que a arma usada no crime era de sua propriedade, e não do fazendeiro Bida, como alegou em depoimentos anteriores. Rayfran assume integralmente a autoria do crime, e disse que trabalhava para Tato e se sentia ameaçado por Dorothy e pelos colonos.

O atirador alegou que antes de atirar na vítima teria travado uma breve discussão com a irmã e esta teria lhe afrontado ao dizer: “por que vocês estão jogando semente de capim aqui, não sabem que este lote é do PDS e vai servir para as famílias plantarem verduras?” Jurados também formularam perguntas tanto para Vitalmiro quanto para Rayfran Sales.

Os interrogatórios encerraram com Rayfran assumindo o homicídio, inocentando os demais envolvidos. Em seguida o juiz passou a leitura do relatório do Juízo, sobre o processo. Promotoria e Defesa pediram leitura de peças do processo e exibição de vídeo.


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