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Promotor do Caso Dorothy vê sedução de testemunhas por parte de fazendeiro
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Marcos Sergio Silva

Em entrevista a Última Instância, o promotor Edson Augusto Cardoso de Souza disse acreditar que as testemunhas podem ter sofrido sedução —e não coação— do fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, para que mudassem seus depoimentos no julgamento que o absolveu da acusação de mandante da morte da missionária americana Dorothy Stang, em Anapu, interior do Pará, em fevereiro de 2005.

"Não houve coação, e sim sedução. Não sabemos se financeira, mas houve alguma motivação [para a mudança do depoimento]", afirmou Cardoso de Souza, um dia depois do julgamento.

Para o promotor, a nova versão de uma das testemunhas, Amair Feijoli da Cunha, para o crime foi o “fato novo” que absolveu Bida, que já havia sido condenado a 30 anos de prisão em 15 de maio de 2005. Essa pena foi determinante para o pedido de novo júri.

Já condenado como intermediador no crime, Cunha afirmou em seu julgamento, no ano passado, que a ordem para execução da religiosa veio de Bida. Em depoimento na noite de anteontem (5/5), no entanto, ele disse que mentira na declaração anterior e que só agora falara a verdade, por ter se convertido à religião evangélica. Assim, relatou que Bida não participara do crime.

"Com certeza, isso [a mudança no depoimento] foi determinante na absolvição. Ele compareceu ao julgamento e disse, em plenário, o contrário do que havia dito em seu julgamento. Vamos verificar se houve falso testemunho nesse depoimento. Se apurarmos que ele mentiu, ele vai responder por isso", disse.

A nova versão não deve, entretanto, mudar a pena imputada a Cunha, de 18 anos de reclusão, por já transitar em julgado. O que pode acontecer é a abertura de um novo processo, por falso testemunho, contra o primeiro condenado.

Edson Cardoso de Souza deve entrar com o recurso pedindo um novo julgamento para Vitalmiro em até cinco dias. Ele, no entanto, não crê que a decisão saia ainda neste ano. Um dos fatores que atrapalham a análise da ação é o fazendeiro ter conseguido a liberdade logo após o término do julgamento —ele estava preso desde março de 2005, um mês após a morte da missionária.

"Vamos apresentar o recurso em cinco dias, mas o julgamento é o problema: o tribunal não tem prazo para julgar, pois a pauta já é abarrotada e quem está preso tem preferência, e ele não está mais", avalia o promotor.

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Quarta-feira, 7 de maio de 2008

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