Algemada, madrasta chora e reafirma inocência a juiz

Rosanne D'Agostino - 28/05/2008 - 16h00

Em interrogatório de poucas perguntas feitas pelo juiz Maurício Fossen, no Fórum de Santana, Anna Carolina Jatobá, 24, chorou e reafirmou ser inocente no caso da morte da menina Isabella Nardoni, jogada do 6º andar do prédio em que moravam a madrasta e o pai da menina, Alexandre Nardoni, 29.

Mesmo sem segredo de Justiça, os interrogatórios acontecem a portas fechadas no Fórum de Santana. As informações são repassadas à imprensa pela assessoria do Tribunal de Justiça de São Paulo. A previsão de duração é de oito horas. Uma das pistas da avenida Engenheiro Caetano Álvares foi fechada para abrigar os carros de reportagem.

Em seu depoimento, Anna Carolina Jatobá deu ênfase a dois pontos investigados pela polícia. Segundo ela, que está algemada de frente para o magistrado, dias antes do crime ela perdeu uma chave do apartamento e houve um desentendimento com o pedreiro, que havia sido contratado para finalizar as obras do local.

Ela chorou compulsivamente ao relembrar os últimos momentos com Isabella e recebeu do juiz um lenço para enxugar as lágrimas. Jatobá relatou detalhadamente todos os acontecimentos desde a sexta-feira anterior ao homicídio até a queda da menina.

Conforme a madrasta, que acenou negativamente quando o juiz leu as acusações que lhe são imputadas, Isabella estava feliz, eles foram ao supermercado [em que foram filmados] e ela brincou com os irmãos. “Se a mãe dela achasse que havia algum maltrato, não deixaria que ela nos visitasse”, afirmou.

A madrasta também disse que ninguém discutiu no caminho do supermercado para a casa e fez questão de ressaltar que não havia sangue no carro, mesmo sem que o juiz lhe questionassse sobre isso.

Quando chegaram ao prédio, na zona norte, ela afirma que Alexandre subiu primeiro com Isabella e, enquanto esperava no carro, entrou uma pick-up com um som alto. Em seguida, Alexandre desceu e eles voltaram a subir juntos. Na entrada, Nardoni tirou a chave do bolso para abrir a porta.

Neste momento, Jatobá afirma que Alexandre perguntou onde estava Isabella. “Deve ter caído da cama”, disse a madrasta. Foi então que eles começaram a procurar por ela, Alexandre foi em direção a janela com o protetor cortado e a madrasta afirma ter visto uma gota de sangue na cama de Pietro, filho mais velho do casal.

Agora, Anna Carolina Jatobá tenta desenhar a disposição dos móveis no apartamento quando o casal chegou. O interrogatório, que já dura duas horas, continua. Em seguida, o juiz irá ouvir a versão de Alexandre.

Saiba o que deve acontecer
Nesta fase do processo, os réus apresentam sua versão dos fatos ao juiz. Eles são ouvidos separadamente e podem defender-se, trazer elementos para a elucidação dos fatos, confessar, ou ainda, permanecer em silêncio para não se auto-incriminar. O silêncio não quer dizer confissão e não pode ser usado contra o réu posteriormente.

O juiz divide as perguntas em duas partes, sobre o indivíduo em si e sobre os fatos. No início, os réus respondem sobre sua residência, profissão, meio de vida, entre outros. A seguir, relatam se são verdadeiras as acusações a que respondem, se há motivo particular para acreditar estarem sendo perseguidos e apresentam todas as alegações possíveis em sua defesa.

O Código de Processo Penal prevê que, se os réus divergirem, o juiz pode admitir uma acareação, a fim de dirimir possíveis dúvidas. Vinte dias a contar do interrogatório, no caso de réus presos, o juiz começa a ouvir testemunhas de acusação e defesa.

Por fim, as partes apresentam suas alegações finais no processo e o juiz decide se pronuncia o casal, ou seja, se eles serão submetidos a júri popular, como ocorre em casos de homicídio.

ENTENDA todas as acusações (AQUI)


Leia tudo sobre o caso:

INTERROGATÓRIOS
Casal apresentou versão ensaiada e repleta de contradições, diz promotor
Pai de Isabella diz que foi chamado de assassino e psicopata pela polícia
Madrasta e pai Isabella conversaram momentos antes de interrogatório
Em depoimento, madrasta de Isabella fala sobre ciúme e pressão da polícia
Anna Jatobá revela que já sentiu ciúmes, mas amadureceuMadrasta afirma que foi pressionada pela polícia a delatar Alexandre Nardoni
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PROCESSO
Justiça ouve pai e madrasta de Isabella nesta quarta-feira
STJ nega liberdade a pai e madrasta de Isabella
Justiça paulista deve interrogar casal Nardoni nesta quarta-feira

HABEAS CORPUS
Mérito no TJ-SP deve sair só em junho
Promotor afirma que já esperava por decisão
Justiça de São Paulo nega habeas corpus
Se optar por decisão técnica, TJ pode conceder HC a casal Nardoni
Defesa entra com habeas corpus; casal passa fim de semana preso

PRISÃO
Para promotor, pai e madrasta continuarão presos
Defesa vai atacar decisão "emocional" de juiz
Prisão se justifica por manipulação de casal, diz promotor
Após recebimento da denúncia, casal Nardoni é preso

DENÚNCIA
Justiça recebe denúncia e decreta a prisão preventiva
Denúncia vê maior gravidade em delito do pai de Isabella
Inquérito do caso Isabella é entregue a fórum em São Paulo
Defesa de pai e madrasta de Isabella pede produção de novas provas em prédio

INVESTIGAÇÕES
Para promotor, não é hora de pedir nova prisão
Inquérito vincula casal a ferimentos em Isabella, diz promotor
Pai e madrasta não correm risco soltos, afirma advogado
Justiça concede liberdade

SIGILO
Informações do caso são de domínio público, diz promotor
Delegado devolve sigilo às investigações
Justiça suspende sigilo no inquérito que apura a morte de Isabella
Ciúme pode ser palavra-chave em mistério


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