Madrasta de Isabella diz que foi pressionada pela polícia a incriminar o marido
Rosanne D'Agostino - 28/05/2008 - 17h15
Mesmo sem segredo de Justiça, os interrogatórios acontecem a portas fechadas no Fórum de Santana. As informações são repassadas à imprensa pela assessoria do Tribunal de Justiça de São Paulo. A previsão de duração é de oito horas. Uma das pistas da avenida Engenheiro Caetano Álvares foi fechada para abrigar os carros de reportagem.
Segundo Anna Jatobá, que presta depoimento desde as 14h, na madrugada da morte, a delegada Renata Pontes a pressionou a incriminar o marido Alexandre Nardoni, 29, pai da menina. “A dra. Renata falava: ‘vou colocar você em uma temporária, você não tem faculdade, o Alexandre tem. Você tem noção do que é cair em uma prisão?’”. Ainda segundo Jatobá, a delegada teria questionado se ela não estaria encobrindo Alexandre por amor.
Logo em seguida, o promotor do caso, Francisco José Cembranelli, perguntou se a madrasta havia relatado o que disse para seus advogados. Ela respondeu que sim. O promotor também perguntou se ela mencionou a suposta pressão quando foi interrogada anteriormente. A madrasta disse que não.
Mais cedo, a madrasta fez questão de ressaltar, mesmo sem o juiz questionar, que, dias antes do crime, perdeu uma chave do apartamento e que houve um desentendimento com o pedreiro, contratado para finalizar as obras do local.
Anna Jatobá disse ainda que já sentiu ciúmes da mãe de Isabella, mas amadureceu após o nascimento de seu filho Pietro.
O interrogatório, que já dura três horas, continua. Em seguida, o juiz irá ouvir a versão de Alexandre.
Saiba o que deve acontecer
Nesta fase do processo, os réus apresentam sua versão dos fatos ao juiz. Eles são ouvidos separadamente e podem defender-se, trazer elementos para a elucidação dos fatos, confessar, ou ainda, permanecer em silêncio para não se auto-incriminar. O silêncio não quer dizer confissão e não pode ser usado contra o réu posteriormente.
O juiz divide as perguntas em duas partes, sobre o indivíduo em si e sobre os fatos. No início, os réus respondem sobre sua residência, profissão, meio de vida, entre outros. A seguir, relatam se são verdadeiras as acusações a que respondem, se há motivo particular para acreditar estarem sendo perseguidos e apresentam todas as alegações possíveis em sua defesa.
O Código de Processo Penal prevê que, se os réus divergirem, o juiz pode admitir uma acareação, a fim de dirimir possíveis dúvidas. Vinte dias a contar do interrogatório, no caso de réus presos, o juiz começa a ouvir testemunhas de acusação e defesa.
Por fim, as partes apresentam suas alegações finais no processo e o juiz decide se pronuncia o casal, ou seja, se eles serão submetidos a júri popular, como ocorre em casos de homicídio.
ENTENDA todas as acusações (AQUI)
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