Para Estado de Roraima, União trata a questão da reserva de forma rasteira

Da Redação - 27/08/2008 - 11h10

O jurista Francisco Rezek, ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e representante do Estado de Roraima, destacou a leviandade com que o governo federal vem tratando a questão sobre a demarcação da reserva Raposa Serra do Sol. “Não é um conflito entre índios e arrozeiros, mas sim entre direitos humanos e direitos humanos”, afirmou.

O especialista fez a sustentação oral do Estado nesta quarta-feira (27/8), em julgamento no Supremo. A Corte deverá estabelecer se a reserva pode ser delimitada de forma contínua, como querem os índios e o governo federal, ou segmentada, como defendem o Estado de Roraima e os arrozeiros que estão na área.

Entenda a disputa na reserva

O julgamento começou às 9h25. Após a leitura do relatório do ministro Carlos Ayres Britto, o plenário admitiu os assistentes para o julgamento. Os primeiros a fazerem a sustentação oral pediam pela procedência da Petição 3388, ação popular protocolada pelo senador Augusto Botelho (PT), de Roraima. Na ação, ele pede a revisão da demarcação feita em 1998, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, e homologada em 2005 por decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O representante do senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), também autor da ação, alegou ilegalidade e falhas grosseiras no decreto. Ele ainda reforçou que a demarcação contínua pode trazer riscos à soberania nacional.

O jurista Francisco Rezek afirmou que é “rasteiro” o nível legislativo com que uma questão tão relevante vem sendo tratada, por meio de instrumentos normativos originários dos corredores do poder Executivo.

“Eu pediria ao tribunal que se lembrasse do conflito entre o laudo antropológico, em que se baseou a Funai (Fundação Nacional do Índio), assinado por uma pessoa, e aquilo que em sentido avesso foi produzido por comissões do Senado, da Câmara e da Justiça Federal”, destacou ao questionar o documento.

Rezek lembrou que o Estado de Roraima é uma unidade da federação e seu interesse é inteiramente legítimo em resolver o conflito. Segundo o jurista, o governo federal vem tratando o Estado como um “quintal”. “Hoje, 10% do território é domínio do Estado e 90% integra o patrimônio da União. A essa altura, 50% de Roraima são terras indígenas. O que sobra para o Estado é uma área virtual”, afirmou.

Ação
O caso a ser julgado é a Petição 3388, protocolada pelo senador Augusto Botelho (PT), de Roraima. Ele pede a revisão da demarcação feita em 1998, ainda do governo Fernando Henrique Cardoso, e homologada em 2005. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em decreto, determinou que a posse da região fosse destinada aos índios, 18 mil no total. Além disso, a população não-índia do local, os arrozeiros, deveria ser retirada da área.

A demarcação da reserva cumpriu todas as etapas previstas na lei, faltando apenas a retirada dos não-indígenas. Em março e abril desse ano, a Raposa Serra do Sol foi palco de diversos conflitos entre índios e fazendeiros. A Polícia Federal, por meio da operação Upakaton 3, deveria retirar os não-índios da região.

Porém, uma liminar do Supremo suspendeu a retirada. O governador de Roraima, José de Anchieta Júnior (PSDB), afirmou que a saída dos não-índios afetaria, pelo menos, 6% da economia do Estado, sendo que os indígenas ocupam terras que não passam de 1% do total da área demarcada para a reserva.

O governo reclama ainda que a demarcação contínua da reserva ocupa 7% do território, o que somada as demais áreas indígenas resulta em 45% da área do Estado ocupado por índios, inviabilizando o desenvolvimento econômico.

A medida foi concedida até que o STF julgasse o mérito das ações principais que versem sobre a demarcação.

Existem outras 32 ações questionando a demarcação da reserva. Uma delas é do próprio governador de Roraima que pede a anulação do decreto presidencial que homologou a demarcação.

Independentemente da decisão do Supremo, o governo já tomou providências na área de segurança, reforçando o efetivo de policiais federais na região. O receio é de que haja um conflito armado na região, já que o clima entre índios e arrozeiros está acirrado.

Os índios que vivem na reserva já afirmaram que não deixarão de ocupar nenhuma área dos 1,7 milhão de hectares da Raposa Serra do Sol, mesmo que o STF decida pela ilegalidade da demarcação contínua.


LEIA MAIS:

NOTÍCIAS
Disputa envolve demarcação de reserva de forma contínua ou em ilhas
Saiba o que diz a Constituição a respeito dos direitos dos índios no Brasil
Ação em julgamento sobre Raposa Serra do Sol questiona demarcação
Para Britto, STF atua para evitar "conseqüências imprevisíveis" em RR
União deve assegurar o livre trânsito na área Raposa Serra do Sol
Estado de Roraima questiona demarcação da reserva Raposa Serra do Sol
Para PGR, demarcação da Raposa Serra do Sol é regular
Tarso: Judiciário é “co-responsável” pelo que acontecer em Raposa Serra do Sol
Supremo mantém decisões sobre a reserva indígena Raposa Serra do Sol
Ocupantes terão de deixar áreas da reserva indígena Raposa Serra do Sol

ARTIGO
Hélio Bicudo - Os direitos do índio


Contabilidade Avançada e Intermediária

Ricardo J. Ferreira

De R$ 99,00

Por R$ 79,20


Princípios de Direito Penal

Amadeu de Almeida Weinmann

De R$ 96,00

Por R$ 76,80


Código de Processo Civil Anotado

Humberto Theodoro Júnior

De R$ 165,00

Por R$ 132,00


Vade Mecum Trabalhista

André Paes de Almeida

De R$ 189,90

Por R$ 151,92