Fenalaw 2008 amplia atrações e traz debate jurídico para advogados
Priscila Cury - 15/09/2008 - 09h34
“As atrações da feira este ano passam pela questão de discutir a parte técnica do advogado e não só da administração, porque todos os eventos anteriores têm tido como foco único debater a organização e administração do escritório”, afirma Anna Luiza Boranga, a idealizadora do congresso.
A organizadora da Fenalaw conversou com a reportagem de Última Instância e destacou algumas características da feira. “É o único fórum no Brasil em que se debate o tema da estrutura dos escritórios de direito”, disse Anna Luiza. Esse ineditismo deve atrair cerca de 4.000 pessoas para o evento, ao longo dos três dias, e já tornou a feira uma tradição no meio.
Com cerca de 20 anos de carreira, a consultora já participou da gestão de importantes escritórios de advocacia do país. Graduada em Administração de Empresas pela FGV (Fundação Getulio Vargas), ela começou a exercer sua profissão em 1989, no escritório Tozzini, Freire, Teixeira, Silva Advogados, um dos maiores do Brasil. Anna Luiza se tornou a primeira latino-americana a participar da Ala (Association of Legal Administration), em português, Associação de Administração Legal). Trata-se de uma instituição que busca criar mais competitividade e desenvolver a profissionalização da advocacia em diversos países.
Além disso, a criadora da Fenalaw fundou a sua própria empresa de organização e administração de escritórios e departamentos Jurídicos, a ALB Consultoria. Esta assessoria já prestou serviço para mais de cem escritórios. Anna Luiza é coordenadora e professora do curso de Administração Legal para Advogados do GVlaw, o programa de educação continuada de direito da Fundação Getúlio Vargas.
Pelo segundo ano consecutivo, Última Instância apóia a Fenalaw e acompanhará todas as novidades deste ano, com uma cobertura diária dos acontecimentos direto do Centro de Convenções Frei Caneca.
Leia a entrevista:
Última Instância – Qual o maior diferencial da Fenalaw 2008 em relação às quatro edições anteriores?
Ana Luiza Boranga – As atrações da feira este ano passam a discutir a parte técnica do advogado e não só a administração, porque todos os eventos anteriores tiveram como foco único discutir a organização e administração do escritório. Desta vez, a Fenalaw traz novas áreas de atuação e novidades dentro destes ramos. O advogado vai ter palestras de cunho jurídico. A intenção é que pessoas que não estão ligadas à área da administração possam freqüentar a feira. Além de ver alguma coisa e se encontrar com outros advogados, estes visitantes terão um congresso jurídico. Mas o maior diferencial continua sendo o fato de que a Fenalaw é o único fórum no Brasil em que se debate o tema da estrutura dos escritórios de direito. Não tem nenhum outro lugar em que se pode discutir isso como na feira. Só neste evento há escritórios de todos os portes, grandes, médios e pequenos, discutindo suas próprias formas de organização.
Última Instância – O público que já freqüentou outras edições do evento volta para a Fenalaw 2008?
Ana Luiza Boranga – Sim, pois sempre há muitas novidades. Os palestrantes e as situações não são as mesmas. Por exemplo, o Brasil vive um momento em que está sendo foco de grandes investimentos estrangeiros, no país todo, o que envolve muito o interior do país. Com isso, surge o destaque para a área do agrobusiness. Nota-se que essa realidade não é a mesma do ano passado. A cada edição muda o objetivo, novas discussões surgem para debater os assuntos. Nem a parte de organização e de administração é a mesma. Os visitantes não vão à feira apenas para ver a exposição, mas para fazer relacionamento e se atualizar em termos de informação.
Última Instância – Como surgiu a idéia de realizar um evento como a Fenalaw no Brasil?
Ana Luiza Boranga – A idéia partiu de uma feira similar que existe nos Estados Unidos, que é a maior do mundo. A nossa é a segunda em tamanho. Lá, existe um número muito grande de advogados, por isso, um congresso dessa proporção, que também ocorre uma vez por ano. A organização do evento daqui conta com o apoio da Ala (Association of Legal Administration). É a empresa responsável pela realização da feira norte-americana.
Última Instância – Qual a influência do evento dos Estados Unidos na feira nacional?
Ana Luiza Boranga – O congresso aqui é totalmente focado na realidade brasileira, mas a feira terá três palestrantes norte-americanos que vêm para falar sobre o que está acontecendo no mundo em relação ao direito. Como vivemos uma globalização, não existe mais tanta diferença de atuação. A Fenalaw traz os palestrantes estrangeiros para discutirem com os brasileiros, para provocar esse debate, entender o que vale para o Brasil do que eles praticam lá. Enfim, compreender como a advocacia do país pode se adequar às necessidades globalizadas. Esse assunto é importante para os escritórios, especialmente do interior de São Paulo e de outros Estados, porque a realidade internacional nem sempre é conhecida por esses profissionais.
Última Instância – Qual atração da Fenalaw é novidade no evento de 2008?
Ana Luiza Boranga – Um grande diferencial deste ano é a criação do Espaço do Advogado, que é um lugar para fazer contatos de trabalho com outros profissionais. O Bar do São Pedro São Paulo vai desenvolver esse ambiente da feira, com mesas e restaurante. Os escritórios de outros lugares podem fazer reserva de lugar e ficar os três dias com a mesa para mostrar seu trabalho e fazer contato com outros advogados. Esse é um grande diferencial deste ano. Trata-se de um espaço com muitas mesas e o bar oferecendo os serviços. A empresa Laura Doces também oferecerá seus produtos. O objetivo é realmente que seja um ambiente agradável pra que as pessoas possam ficar ali mais tempo, mostrar o folder do seu escritório. A intenção é que os advogados possam se expor para outros e pensar em possíveis trabalhos em conjunto, buscar contatos para projetos futuros.
Última Instância – Em relação ao Congresso, quais são as participações mais aguardadas?
Ana Luiza Boranga – As duas palestras do Friedrich Blasé, que são as de abertura e encerramento do Congresso, são destaque este ano. Ele é especializado em América Latina. Além disso, conhece bem o direito da Inglaterra e dos Estados Unidos. O palestrante deve falar sobre estratégia para os advogados brasileiros. Haverá tradução simultânea para facilitar o entendimento. O Congresso deste ano está sendo organizado por três parceiros da Fenalaw, o Iasp (Instituto dos Advogados de São Paulo), o Cesa (Centro de Estudos das Sociedades de Advogados) e a OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo). Eles são responsáveis por promover as palestras e tratar das novas áreas de atuação. Outro diferencial deste ano é a parceira da feira com a Fundação Getúlio Vargas, que já existia nas outras edições, mas que se intensificou em 2008. A FGV oferece um curso de administração legal.
Última Instância – Qual o público aguardado para a Fenalaw 2008?
Ana Luiza Boranga – Espera-se um público de cerca de 4.000 pessoas ao longo dos três dias da feira. Não temos a intenção de tornar o evento maior do que está. Não há sentido para isso. O tamanho está certo, já tem grande proporção. A maioria dos visitantes é do Estado de São Paulo, capital e interior, mas há a presença de advogados do país inteiro.
Última Instância – Pode-se considerar que a feira já é uma tradição no meio jurídico?
Ana Luiza Boranga – Todo mundo sempre pergunta quando vai ser a próxima. As pessoas esperam o evento, por diversos motivos, seja para procurar software, produtos para o escritório, seja a procura por livros. Às vezes, o advogado que quer abrir escritório ou reformar alguma coisa chega a esperar a realização da feira para conhecer as novidades, ver o que há de mais moderno, então acho que se pode dizer que já é tradição.














