Constituição de 88 consagrou direitos trabalhistas, mas levou à informalidade

Eduardo Ribeiro de Moraes - 21/10/2008 - 11h22

A Constituição de 1988 foi generosa ao tratar de direitos dos trabalhadores. Direito à greve, jornada de 44 horas, licença paternidade e ampliação da licença maternidade foram algumas das garantias concedidas.

No entanto, ao consagrar estes novos direitos, a Carta pode ter onerado a folha de pagamento das empresas a ponto de gerar desemprego e levar os trabalhadores a se socorrerem no trabalho informal.

O advogado e professor titular de direito do trabalho da Faculdade de Direito da USP e da Universidade Mackenzie, Nelson Mannrich, considera que a Constituição de 1988, sob a falsa promessa de aumentar direitos trabalhistas, de fato, onerou as empresas. "Acabou expulsando o trabalhador para a informalidade", ressalta o professor.

Segundo Mannrich, o texto constitucional deveria se ater aos direitos e garantias fundamentais e não constitucionalizar a CLT (Consolidação dos Direitos do Trabalho). Para ele, alguns direitos celetistas poderiam ser negociados pelos trabalhadores, mas, por constarem da Carta, esta possibilidade deixou de existir.

A título de exemplo, o professor cita a questão dos 50% de hora extra. "Não é papel do texto constitucional tratar de questões deste tipo. O texto constitucional deve ter apenas o enunciado dos grandes princípios. Nesse aspecto, a Constituição se perdeu", avalia.

Para o constitucionalista e professor de direito da PUC-SP Luiz Tarcísio Teixeira Ferreira, a constitucionalização de direitos trabalhistas foi fundamental e trouxe enormes ganhos sociais pra os trabalhadores.

"Se não fosse dessa forma, dificilmente estes direitos viriam a ser respeitados", afirma o professor da PUC-SP.

Ele não considera um problema o fato de a Carta ter constitucionalizado certos direitos dos empregados. Para Tarcísio, o argumento de que a presença destes dispositivos no texto constitucional poderia impedir a discussão de novos parâmetros pelas diversas classes de trabalhadores seria "discurso de terroristas".

O professor e fundador da ABCD (Associação Brasileira de Constitucionalistas Democratas), Marcelo Figueiredo, avalia que existem nas questões do direito do trabalho alguns pontos na Constituição que eventualmente podem onerar a folha de pagamento. "Trata-se de alguns direitos sociais que, segundo os empresários, estariam aumentando a folha e levando os trabalhadores a se socorrerem na economia informal", diz.

Figueiredo ressalta que na Europa a legislação trabalhista tem passado por uma flexibilização. "Aqui como lá as empresas poderiam ser aliviadas se houvesse outras formas de contratar. Este é o argumento daqueles que dizem que certos direitos sociais não deveriam estar na Constituição", avalia o constitucionalista.

Grande defensor das causas trabalhistas —e um dos responsáveis pelas conquistas sociais dos empregados quando ocupava uma cadeira no Congresso como deputado federal constituinte em 1988—, o senador Paulo Paim (PT-RS), em entrevista a Última Instância, fez questão de defender alguns direitos dos empregados. "Estas conquistas não trouxeram ônus nenhum, nem para a economia nem para os empresários e muito menos para o trabalhador", avaliou o senador.

LEIA MAIS NO ESPECIAL CONSTITUIÇÃO:

ENTREVISTAS
Para Lula, só reforma política consolida avanços da Constituição
Transição entre cartas dificultou governabilidade, diz Sarney
Economia justifica omissão de legislador ao regular carta, diz Gilmar Mendes
Constituição brasileira é referência em Direitos Humanos, diz Oscar Vilhena
Medida provisória e voto secreto são equívocos da Carta de 88, diz Paulo Paim

ANÁLISES
Constituição de 88 consagrou direitos trabalhistas, mas levou à informalidade
Artigos vivos e mortos coexistem no texto da Constituição brasileira
Constituição tornou Estado mais preocupado com direitos do cidadão
Sociedade ressente melhor interpretação e aplicação do texto constitucional
Executivo e Legislativo fogem mais de princípios constitucionais
Mais detalhista, Constituição brasileira privilegia direitos individuais
Fragilidade de políticos afasta Congresso de ideal da Constituição
Juristas enxergam várias faces na Constituição Federal de 1988
Como um "estatuto" da sociedade, Constituição define o funcionamento do país

HISTÓRIA
Marco histórico na vida do país, Constituição Federal completa 20 anos
Constituição recebe 3,5 emendas por ano
Após 20 anos, suposta fraude de Jobim à Constituição ainda gera polêmica


Desaposentação

Fábio Zambitte Ibraim

De R$ 24,90

Por R$ 19,92


Região Metropolitana

Pedro Estevam Alves Pinto Serrano

De R$ 52,00

Por R$ 41,60


Vade Mecum Trabalhista

André Paes de Almeida

De R$ 189,90

Por R$ 151,92


Como Passar em Concursos Fiscais!

Wander Garcia

De R$ 139,00

Por R$ 111,20