SATIAGRAHA
Daniel Dantas financiou mensalão, diz denúncia do MPF
William Maia - 06/07/2009 - 12h57

Quando estava no comando da operadora Brasil Telecom, o Grupo Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, financiou o chamado mensalão, suposto esquema de pagamento de propinas a parlamentares para apoiarem iniciativas do governo no Congresso. A conclusão faz parte da denúncia apresentada na última sexta-feira (3/7) pelo MPF-SP (Ministério Público Federal em São Paulo) ao juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal, resultado final das investigações da operação Satiagraha.
De acordo com o procurador Rodrigo De Grandis, em entrevista coletiva realizada nesta segunda (8/7), foram encontrados dois contratos no valor total de R$ 50 milhões em uma auditoria feita na Brasil Telecom. Os documentos foram assinados com a DNA Propaganda e a SMP&B, empresas de Marcos Valério, acusado de ser o operador financeiro do mensalão.
Para o procurador, essa era uma forma de aproximação do Grupo controlado por Dantas com o governo para facilitar seus negócios. O grupo Opportunity, por meio de nota, negou qualquer envolvimento com o mensalão e classificou a operação Satiagraha de "fraude".
A Procuradoria pediu a abertura de mais três inquéritos derivados de investigações iniciadas com a operação da Polícia Federal, que nesta semana completa um ano de deflagração. Em um deles, pede a apuração de suposto crime financeiro na fusão Brasil Telecom com a Oi.
Em outro pedido, o MPF sugere a abertura de inquérito para apurar se houve participação do advogado e ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh e de Carlos Rodenburg, ex-cunhado de Dantas e presidente da Agropecuária Santa Barbara Xinguara.
Greenhalgh afirma, por meio de sua assessoria, que apenas atuou como advogado de Daniel Dantas para solucionar pendencias judiciais que dificultavam a venda de ações do banqueiro na BrT aos fundos de pensão, que dividiam o controle acionário da companhia.
A denúncia da Satiagraha, segunda oferecida à Justiça, acusa o banqueiro Daniel Dantas, controlador do Opportunity, e outras 13 pessoas de diversos crimes financeiros, como lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta de instituição financeira, evasão de divisas e crime de quadrilha e organização criminosa. Confira a lista completa dos acusados no fim da página.
Entre os acusados estão a irmã de Dantas, Verônica, o presidente do Opportunity, Dório Ferman, e Humberto Braz, ex-diretor da Brasil Telecom. Rodrigo De Grandis afirmou que não descarta a possibilidade de ocorrerem novas prisões, como de Daniel Dantas. Como o caso corre sob sigilo, o procurador não quis informar se foram pedidas novas prisões ou operações de busca e apreensão.
A Procuradoria afirma que os acusados formaram “um verdadeiro grupo criminoso empresarial cuja característica mais marcante fora transpor métodos empresarias para perpetração de crimes, notadamente delitos contra o sistema financeiro, de corrupção ativa e de lavagem de recursos ilícitos”, segundo o procurador Rodrigo De Grandis destaca na denúncia.
O inquérito que investiga o envolvimento do empresário Naji Nahas e do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, presos na deflagração da Satiagraha, foi encaminhado novamente para que a Polícia Federal realize novas diligências. O MPF arrolou mais 20 testemunhas, entre elas o ex-ministro Roberto Mangabeira Unger, que trabalhou para o Opportunity.
Confira a seguir os nomes dos 13 denunciados e os crimes dos quais são acusados pela Procuradoria:
Daniel Valente Dantas, controlador do grupo Opportunity, já foi condenado a uma pena de 10 anos de prisão em processo de corrupção ativa e foi denunciado agora pelo MPF sob as acusações de crimes de quadrilha e organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, evasão de divisas e lavagem de dinheiro;
Verônica Valente Dantas, sócia, diretora e conselheira de várias empresas do grupo e do banco: quadrilha e organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, evasão de divisas e lavagem de
dinheiro;
Dório Ferman, presidente do banco Opportunity: quadrilha e
organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição
financeira, gestão temerária de instituição financeira, evasão de divisas e lavagem de dinheiro;
Itamar Benigno Filho, diretor do banco: gestão temerária de
instituição financeira e participação no crime de gestão
fraudulenta de instituição financeira;
Danielle Silbergleid Ninnio, da área jurídica do grupo,
ex-assessora jurídica da Brasil Telecom: crime de quadrilha e
organização criminosa;
Norberto Aguiar Tomaz, diretor do banco: lavagem de dinheiro;
Eduardo Penido Monteiro, diretor do banco: lavagem de dinheiro;
Rodrigo Bhering Andrade, diretor de empresas ligadas ao grupo: participação no crime de gestão fraudulenta de instituição financeira;
Maria Amália Delfim de Melo Coutrim, conselheira de diversas empresas do grupo: participação no crime de gestão fraudulenta de instituição financeira;
Humberto José Rocha Braz, ex-diretor da Brasil Telecom e atual consultor do grupo Opportunity, já foi condenado a sete anos de prisão em processo pelo crime de corrupção ativa. Desta vez é denunciado pelo MPF sob as acusações de crimes de quadrilha e organização criminosa e duas lavagens de dinheiro;
Carla Cicco, ex-presidente da Brasil Telecom: participação no crime de gestão fraudulenta de instituição financeira;
Guilherme Henrique Sodré Martins, o Guiga, lobista do Opportunitty: quadrilha e organização criminosa;
Roberto Figueiredo do Amaral, lobista e consultor: crime de
quadrilha e organização criminosa e lavagem de dinheiro;
William Yu, consultor financeiro: crime de quadrilha e organização criminosa e lavagem de dinheiro.

















